Álcool extraído de frutas cítricas é testado no tratamento de tumores: Uma esperança na luta contra o câncer no cérebro

O uso do álcool perílico, um óleo extraído de frutas cítricas, está sendo testado para tratar os tumores, na  Universidade Federal Fluminense.

A aplicação do remédio é feita por inalação, com duração de 15 minutos, quatro vezes ao dia. O tratamento é bem menos invasivo que o tradicional e pode ser feito em casa pelo próprio paciente. De acordo com os pesquisadores,  não há registros de efeitos colaterais, mesmo em pacientes que vêm sendo tratados com a droga,  há mais de seis anos. A inalação permite que o álcool chegue ao sistema nervoso central e iniba a proliferação das células cancerígenas.

O estudo chamou a atenção de pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia. O médico norte americano Thomas Chen disse que os resultados apresentados estão se revelando melhores do que muitos tratamentos convencionais. Mas os pesquisadores esclarecem que o novo tratamento não descarta a necessidade da quimioterapia. E decidiram que o próximo passo da pesquisa é juntar, no nebulizador, o álcool perílico e os remédios da quimioterapia, que também passariam a ser inalados.

O Oncologista Nilson de Castro da Clínica Oncovida, explica melhor o que é o tratamento com inalação do álcool perílico, no tratamento dos tumores cerebrais.

O que é este tratamento? E quais os efeitos colaterais que provoca?

O tratamento em questão é uma nova modalidade terapêutica oncológica que se destaca por utilizar a via inalatória para administração do álcool perílico, como se fosse uma nebulização, o que é bastante prático e confortável para o paciente já que não há necessidade de utilizar a via mais tradicional, endovenosa, que provoca desconforto ao paciente. O tratamento em questão é praticamente desprovido de efeitos colaterais, algo incomum com a quimioterapia tradicional que muitas vezes provoca queda de cabelo, náuseas, vômitos, diarreia, lesões de pele, entre outras consequências.

Mas o que é o álcool perílico?

O álcool perílico é uma substância natural com propriedades quimioterápicas, extraído de óleo essencial presente em plantas como hortelã, cereja e sálvia. Começou a ser estudado em 1987 no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e atualmente vem sendo testado em vários tumores.

Qual é o avanço que esse novo tratamento traz?

A inovação neste caso é a via de administração que é inalatória, prática, o paciente faz o tratamento em casa e sem os efeitos colaterais. Mas o mais importante é que tem mostrado bons resultados no combate aos tumores cerebrais como o glioblastoma multiforme, mas conhecido como GBM, que é um tumor caracteristicamente resistente à terapia convencional com quimioterapia e radioterapia, além de apresentar prognóstico adverso e sobrevida de poucos meses.

E o mundo já conhece esta inovação totalmente brasileira, no combate ao câncer?

Realmente é um tratamento desenvolvido por pesquisadores nacionais e que vem chamando a atenção da comunidade científica internacional. Dados preliminares foram apresentados em um dos maiores congressos mundiais de oncologia em Chicago (EUA) promovida pela Sociedade Americana de Oncologia (ASCO-2010), com grande repercussão e promovendo a visita constante de pesquisadores de todo o mundo a Universidade Federal Fluminense.

Já se faz o tratamento via nebulização também aqui em Brasília?

Esta modalidade terapêutica com finalidade oncológica ainda é considerada experimental e não está disponível para comercialização. Como todas novas modalidades terapêuticas, e por questões de segurança, serão necessários estudo fase III e aprovação do uso pelas Agências Reguladoras de Medicamentos nacionais e internacionais antes da medicação se apresentar disponível no mercado. Por tratar-se de uma substância desenvolvida com tecnologia totalmente nacional e conduzida em uma Universidade Pública, acredito que assim que saírem os resultados finais das pesquisas em andamento, a medicação vai estar disponível. Mas não podemos nos esquecer de que as pesquisas ainda estão em andamento e que os resultados são preliminares, apesar de bastante promissores ao mostrar um aumento da sobrevida dos pacientes. O tratamento convencional baseado em quimioterapia e radioterapia após neurocirurgia ainda é necessário.

Mais informações sobre o assunto podem  ser vistas no site do Bom Dia Brasil.